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“Os modelos precisam vestir o mesmo número de roupa por causa da logística do desfile”

“O padrão das passarelas é necessário porque as roupas terão um caimento melhor com modelos mais magros”

“É muito difícil para a marca trabalhar com modelos de vários tamanhos”

Se você se interessa por moda, já deve ter lido/escutado estas e outras “desculpas” que são constantemente usadas para tentar “justificar” o fato de tantas marcas só desfilarem suas coleções com modelos magros e altos.

Quando isso acontece no cenário nacional, fica ainda mais estranho, já que aqueles corpos possuem medidas que não representam em nada a maioria dos brasileiros. De acordo com uma pesquisa feita pelo Senai, existem mais de 27 tipos de corpos diferentes no país. SIM, VINTE E SETE. Mas quando você observa um evento gigante como o SPFW, é isso que você encontra:

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Modelos recordistas de desfiles no evento | Foto e info: FFW

O padrão não fica só nos tamanhos. Em todas as semanas de moda os modelos são, predominantemente, brancos e de cabelos lisos. Mesmo sabendo que 53% dos brasileiros se declararam pardos ou negros.

Se você já trabalhou com moda, deve saber o quanto realmente dá trabalho tentar usar modelos de tamanhos diferentes num projeto. Isso pode levar mais tempo e ter um custo maior pelo trabalho na modelagem e prototipia. É provável também que você tenha visto modelos brancos, de cabelos lisos, serem escolhidos para fotografar todos os materiais da marca, coleção após coleção.

Não estou aqui para dizer que é fácil para todas as marcas investirem em tamanhos diferentes. Mas todas as “quebras de padrão” exigem coragem e trabalho. Os marcos da história da moda só aconteceram quando pessoas corajosas e criativas conseguiram visualizar uma novidade e batalharam para que todos entendessem seu potencial.

Estamos em 2017 e já passou da hora da indústria fashion se mexer. Nós sabemos que, se realmente quiser sair do ~padrãozinho~, é possível fazer. Taí os desfiles da Lab e do Ronaldo Fraga que não me deixam mentir.

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Lab no SPFWN44 | Foto: FFW
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Ronaldo Fraga no SPFWN44 | Foto: FFW

Como consumidor nós também podemos colaborar para que essa evolução aconteça. Podemos espalhar a ideia, reclamar e escolher consumir marcas que respeitam a diversidade e nos representam. “OU AS MARCAS MUDAM OU AS MARCAS MUDAM!” Se não me quer na passarela ou nas campanhas publicitárias, não terá meu dinheiro no caixa. E sabe qual é a diferença entre o dinheiro de uma mulher que veste 36 e uma que veste 46? Nenhuma diferença!

*  este não é um artigo sobre diminuir a beleza das magras, brancas e altas. É sobre incentivar a diversidade no mercado de moda para que todas sejam representados nas passarelas e revistas.

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